FUGIR 2

             

Ele se lança contra você.

O primeiro golpe vem em sua direção. Você se esquiva por instinto.

O punho passa raspando pelo seu rosto. Sem olhar para trás, você corre pelo corredor estreito da casa.

Seus passos ecoam no piso velho enquanto o som pesado de Mateus vem logo atrás.

Você avista uma porta.

Empurra.

Ela se abre para os fundos da casa e você dispara para fora.

A chuva ainda cai fina, misturando-se com o cheiro de ferrugem e terra molhada.

Você para por um segundo. Está no meio de um ferro-velho: carros desmontados, latarias empilhadas, capôs retorcidos e portas enferrujadas espalhadas pelo mato alto.

Mas algo ali está errado.

Muito errado.

Entre os entulhos você percebe lápides. Algumas tombadas. Outras semi-enterradas. Datas antigas. Nomes apagados. No fundo do terreno, quase engolidas pela vegetação, erguem-se as ruínas de uma pequena capela.

Então você entende.

Aquilo não era apenas um ferro-velho. Antes de tudo aquilo…aquilo tinha sido um cemitério.

Um estalo de madeira ecoa atrás de você.

Você vira o pescoço lentamente.

A silhueta grande e terrível de Mateus atravessa a porta da casa.

A chuva escorre pelo rosto dele.

O sorriso torto continua lá.

Ele começa a caminhar na sua direção. Sem pressa.

Como se tivesse certeza de que você não vai a lugar nenhum.

Você corre.

Alguns metros adiante há um portão de ferro.

A saída. Você o agarra e tenta abrir.

Nada.

Preso.

Um cadeado mantém o portão fechado.

Mas não é um cadeado comum. Na frente dele há uma pequena roleta giratória com quatro números.

Uma senha.

Você gira o pescoço novamente. Mateus já está no meio do terreno. Vindo.

Cada passo esmagando o mato alto.

Você não tem muito tempo.

A pergunta é simples:

Qual a senha?


TENTAR ABRIR CADEADO

(clique no cadeado)

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