Você olha para seu colega. Ele está lívido. Os
olhos arregalados, a respiração curta, como se tivesse esquecido completamente
como reagir. De repente ele toma uma decisão.Sem dizer nada, dispara em direção
ao banheiro do quarto.
A porta bate. O trinco gira. E você percebe, tarde
demais, que ele se trancou lá dentro, deixando você sozinho.
Sozinho com Mateus. O ex-militar avança pelo
quarto com aquele sorriso rígido, os olhos esbranquiçados, a garrafa verde ainda
presa na mão como se fosse parte do próprio corpo.
Ele rosna. Um som grave, úmido. Você mal tem tempo
de pensar.
O primeiro golpe vem em sua direção. Você se abaixa
por instinto.
O punho passa raspando pelo seu rosto. Sem olhar
para trás, você corre e sai do quarto.
Corre pelo corredor estreito da casa.
Seus passos ecoam no piso velho enquanto o som
pesado de Mateus vem logo atrás.
Você avista uma porta.
Empurra.
Ela se abre para os fundos da casa e você dispara
para fora.
A chuva ainda cai fina, misturando-se com o cheiro
de ferrugem e terra molhada.
Você para por um segundo. Está no meio de um ferro-velho:
carros desmontados, latarias empilhadas, capôs retorcidos e portas
enferrujadas espalhadas pelo mato alto.
Mas algo ali está errado.
Muito errado.
Entre os entulhos você percebe lápides. Algumas
tombadas. Outras semi-enterradas. Datas antigas. Nomes apagados. No fundo do
terreno, quase engolidas pela vegetação, erguem-se as ruínas de uma pequena
capela.
Então você entende.
Aquilo não era apenas um ferro-velho. Antes de tudo
aquilo…aquilo tinha sido um cemitério.
Um estalo de madeira ecoa atrás de você.
Você vira o pescoço lentamente.
A silhueta grande e terrível de Mateus
atravessa a porta da casa.
A chuva escorre pelo rosto dele.
O sorriso torto continua lá.
Ele começa a caminhar na sua direção. Sem pressa.
Como se tivesse certeza de que você não vai a lugar
nenhum.
Você corre.
Alguns metros adiante há um portão de ferro.
A saída. Você o agarra e tenta abrir.
Nada.
Preso.
Um cadeado mantém o portão fechado.
Mas não é um cadeado comum. Na frente dele há uma
pequena roleta giratória com quatro números.
Uma senha.
Você gira o pescoço novamente.Mateus já está no
meio do terreno. Vindo.
Cada passo esmagando o mato alto.
Você não tem muito tempo.
A pergunta é simples:
Qual é a senha?
TENTAR ABRIR CADEADO
(clique no cadeado)
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