Você vai até a geladeira.
A cozinha está silenciosa, iluminada apenas pela
luz amarelada da lâmpada sobre a pia. Ao olhar para a sala, vê que o outro colega
já se esparramou no sofá.
Ele cochila com a cabeça caída para o lado, uma
garrafa aberta de refrigerante ainda na mão.
Você abre a geladeira. O ar frio escapa.
Lá dentro há algumas garrafas, um pedaço de pizza
embrulhado em papel alumínio e… uma fileira de garrafas verdes de 300 ml.
Você pega uma.
Mas algo chama sua atenção.
O líquido dentro da lata parece brilhar.
Não é reflexo da luz.
É como se o refrigerante tivesse uma luminescência
própria, um verde estranho, quase radioativo.
Você gira a lata na mão. Observa melhor e franze a
testa. Talvez você não esteja com tanta sede assim.
Você fecha a geladeira. Deixa a lata de volta.
Volta para a sala e se senta numa cadeira. Puxa o
celular e começa a procurar alguma música para ouvir.
O som da chuva do lado de fora continua constante.
Tudo parece normal.
Até que você ouve um rosnado. Bem atrás de
você.
Lento. Úmido. Você vira a cabeça.
É o colega de trabalho.
Mateus.
Ele está parado no meio da sala. Na mão ele segura
uma garrafa de refrigerante verde. Mas há algo profundamente errado com ele. A
boca está aberta num sorriso estranho. Os dentes aparecem demais. Os olhos
estão esbranquiçados, quase sem pupilas. A cabeça inclina levemente para o
lado.
Ele rosna outra vez.
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